Eu li…

Aqui dedico em espaço aos livros que ja li. Farei uma pequena resenha de cada um e para não fugir da proposta do site – despejar meus devaneios – colocarei algumas reflexões, visões ou qualquer coisa que pensei sobre a leitura, se quiser colaborar fique a vontede, afinal se vc esta aqui também é um pouco louc@:

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Do cabaré ao lar” é título do livro da historiadora-anarquista, ou anarquista-historiadora, Margareth Rago. Mesmo que os dois autores sigam caminhos diferentes na analise do operariado a autora mescla as perspectivas de Michel Foucault e Edward P.Thompson neste livro o tornando indispensável para aqueles que desejam estudar a cultura operária e as formas de disciplinarização almejadas por patrões, médicos, psiquiatras e Estado que compreenderam o início do século XX no Brasil, período de 1890 a 1930.

A autora irá fazer uma analise detalhada dos discursos de diversas autoridades como médicos, engenheiros, sanitaristas, higienistas e afins que visavam o “bem estar” do operariado no que concernia a situação nas fábricas, tratamentos com as mulheres, o caso do trabalho infantil e a moradia do operariado.

Neste cenário vemos então esboçar discursos que visavam eliminar o conflito que existia no interior da luta de classes da época, sendo que os argumentos da classe dominante tendem sempre a uma moralização e individualização do operariado, justamente porque os projetos políticos da burguesia nada mais são do que o imaginário social da sociedade burguesa perfeita projetado ao operário, ou seja, a criação de uma cidade utópica burguesa sem a intromissão de idéias e práticas subversivas.

Em contra partida Margareth também mostra como foram as mais diversas formas de resistência a esses projetos por parte da classe trabalhadora no geral e mais especificamente dos anarquistas, homens, mulheres e crianças tais como a destruição das maquinas, tradição esta resgatada do operariado inglês com o ludismo. Assim também como fez na analise do discurso das autoridades médicas e patronais, Margareth Rago irá também adentrar-se no discurso do operariado, mostrando que também possuíam um ideal de sociabilidade da qual foi silenciada pelo poder da classe dominante. Tais projetos eram divulgados na imprensa operária de orientação anarquista. Jornais como A Lanterna, Terra Livre e muitos outros são exemplos dessa imprensa explorada pela autora.

Outro material usado como fonte por Margareth foram os escritos das próprias mulheres, em seu todo anarquistas, mostrando uma outra visão das relações de poderes vigentes naquela época. Com isso a autora traz a lume a concepção machista da sociedade como um todo, tanto a perspectiva da classe dominante quanto da classe trabalhadora, inclusive algumas colocações dos próprios anarquistas.

Uma das figuras centrais dos discursos feministas da época analisada é a de Maria Lacerda de Moura. Expondo suas vorazes colocações contra o machismo e autoritarismo a autora nunca se autodenominou como anarquista, mas sim como livre pensadora, o que coloca essa figura tão particular no hall das escritoras mais importantes da época, pois ao não se prender a nenhuma ideologia política e partidária Maria Lacerda de Moura desferia golpes a tudo o que lhe privava alcançar suas potencialidades enquanto pessoa, mulher e trabalhadora.

Do Cabaré ao lar então é um livro de fundamental importância para os que desejam conhecer a voz silenciada da classe trabalhadora do inicio do século XX, fazendo-nos compreender as tramas do poder que fazem silenciar a idéia da liberdade.

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  1. janeiro 24, 2010 às 4:58 pm

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